Preparo e Manejo da Solução Nutritiva nos Sistemas Hidropônicos

No preparo da solução nutritiva existe uma seqüência correta de adição de sais. Descreveremos passo a passo o preparo de uma solução nutritiva.
O composto são pesados individualmente, identificados e ordenados próximo ao reservatório onde será preparada a solução nutritiva. Esta operação deve ser cuidadosa, pois qualquer engano nesta etapa poderá comprometer todo o sistema.

Nos sacos estão as misturas de macronutrientes, mas sem a fonte de cálcio. Os sais são misturados a seco, o cálcio não pode entrar, porque forma compostos insolúveis com fosfatos e sulfatos.
A mistura é dissolvida em um recipiente com água e depois jogada no reservatório. Ao colocar a mistura no reservatório ele já deverá estar cheio pela metade.

O sal de cálcio é dissolvido separadamente e adicionado em seguida, depois vem a mistura de micronutrientes que poderá ser preparado em maior quantidade e armazenada.

A mistura de micronutrientes não contêm o ferro, basta medir a quantidade certa e jogar no tanque. Após acrescentar os micronutrientes completa-se o nível da solução no reservatório e mistura-se bem.

A seguir faça a medição do pH, ele deverá ficar na faixa de 5,5 a 6,5. Se estiver mais alto que isto adiciona-se ácido sulfúrico ou ácido clorídrico. O ácido deve ser misturado com um pouco de água e depois ser colocado aos poucos no reservatório. Mistura-se bem e mede-se de novo o pH, faça isto até chegar ao valor certo. Se o pH estiver abaixo de 5,5 faz-se a correção com hidróxido de potássio ou hidróxido de sódio.
No final acrescenta o ferro, pois ele é pouco solúvel e deve ser colocado na forma complexada com EDTA para ficar dissolvido e disponível para as plantas. Quando é colocado puro ele precipita e as plantas não conseguem absorvê-lo.
Manejo da solução

Após o preparo da solução, existem alguns fatores que devem ser controlados para o completo e perfeito desenvolvimento da planta, aproveitando ao máximo a solução nutritiva:

Temperatura
A temperatura da solução não deve ultrapassar os 30ºC, sendo que o ideal para a planta é a faixa de 18ºC a 24º C em períodos quentes (verão) e 10ºC a 16ºC em períodos frios (inverno). Temperaturas muito acima ou abaixo desses limites causam danos à planta, bem como uma diminuição na absorção dos nutrientes e, conseqüentemente, uma menor produção, com produtos de baixa qualidade, que serão vendidos a preços mais baixos.

Oxigênio
A oxigenação da solução é muito importante. É preciso utilizar uma boa água e oxigenar a solução constantemente para obter um bom nível de absorção dos nutrientes. A oxigenação pode ser feita durante a circulação da solução no retorno ao reservatório ou com a aplicação de ar comprimido ou oxigênio.

Pressão osmótica
Quando se dissolvem sais na água, sua pressão osmótica aumenta, ou seja, a tendência que a solução tem de penetrar nas raízes diminui, até o ponto que deixa completamente de penetrar e começa a retirar a água das plantas. Isso ocorre pelo fato de a água se movimentar de um meio hipotônico para um meio hipertônico ou, digamos, de um meio menos concentrado para um meio mais concentrado. Por isso, a solução deve conter os nutrientes nas proporções adequadas, mas suficientemente diluídas para não causar danos. A pressão osmótica ideal está entre 0,5 a 1,0 atmosfera (atm.).

Condutividade elétrica
Esse controle é de grande importância, pois determina quanto adubo há na solução (quantidade de íons). Quanto mais íons tivermos na solução, maior será a condutividade elétrica, e vice-versa. Há um aparelho que mede a condutividade: o condutivímetro. Na utilização desse aparelho, as medidas ideais da solução ficam na faixa de 1,5 a 3,5 miliSiemens/cm, que corresponde a 1.000 à 1.500 ppm de concentração total de íons na solução. Valores acima dessa faixa são prejudiciais à planta, chegando a sua total destruição.

Valores inferiores indicam a deficiência de algum elemento, embora não se saiba qual e em que quantidade. A resposta só pode ser obtida com a análise química laboratorial da solução nutritiva.

pH – o pH da solução nutritiva é tão importante quanto a condutividade elétrica, pois as plantas não conseguem sobreviver com valores abaixo de 3,5. Os seus efeitos podem ser diretos, quando houver efeito de íons H+ sobre as células; ou indiretos, quando afetam a disponibilidade de íons essenciais para o desenvolvimento da planta.

A solução pode ser apresentar ácida, alcalina ou neutra. Valores baixos (acidez < 5,5) provocam uma competição entre o íon H+ e os diversos cátions essenciais (NH+-, Ca2+, Mg2+, K+, Cu2+, Fe2+, Mn2+, Zn2+) e valores elevados acidez > 6,5 e alcalinidade) favorecem a diminuição de ânios (NO3-, H2PO42-, MoO4-). Valores inadequados podem levar à precipitação de elementos.

Apesar de todos os fatores acima mencionados serem importantes no manejo da solução nutritiva, três aspectos devem sofrer controle diário, entre eles:
1º)Complementação do volume gasto sempre com água

2º) Ajuste do pH da solução

3º) Monitoramento do consumo de nutrientes através da condutividade elétrica da solução.

A – Nível da Solução Nutritiva
A solução é consumida pela planta e diariamente observa-se uma redução do seu volume no tanque de solução. Esse volume deverá ser reposto todos os dias não com solução nutritiva e sim com água pura. Pois as plantas absorvem muito mais água do que nutrientes e como a solução nutritiva é uma solução salina a reposição diária com solução leva a uma salinização deste meio, chegando a um ponto que a quantidade de sais dissolvida é maior do que as raízes podem suportar. Se isto ocorrer as plantas cessam seu crescimento, devido não a falta de nutrientes, mas a um potencial osmótico muito elevado no sistema radicular.

B – pH da Solução Nutritiva
Durante o processo de absorção de nutrientes as raízes das plantas vão alterando o pH da solução nutritiva. Esse pH significa a acidez ou basicidade da solução nutritiva. As plantas têm o seu desenvolvimento máximo entre pH 5,5 a 6,5 e à medida que elas crescem elas alteram esse pH da solução nutritiva. Por essa razão diariamente após completar o volume da solução com água o pH da solução deve ser medido, Se estiver fora desta faixa de 5,5 a 6,5, ele deverá ser ajustado com ácido se estiver acima de 6,5 e, com base caso esteja abaixo de 5,5: isto é importante para que a planta tenha condições de absorver todos os nutrientes na quantidade que ela necessitar para o seu crescimento.

C – Condutividade Elétrica

À medida que as plantas crescem os nutrientes da solução vão sendo consumidos e esta solução vai se esgotando. Chega a um ponto que a solução não consegue mais fornecer os nutrientes necessários ao desenvolvimento das plantas. Nesse ponto a solução deve ser trocada. Um dos maiores problemas é saber quando esta troca deve ser realizada. É muito comum que se usem intervalos iguais entre trocas, o que não é correto, pois no início do desenvolvimento as plantas consomem muito menos que no final do seu desenvolvimento.

Para contornar esta situação a maneira mais fácil e simples é usar um condutivímetro. Uma solução que contêm sais tem a capacidade de conduzir a corrente elétrica. Essa capacidade de condução da corrente elétrica é tanto maior quanto maior a concentração de sais dissolvidos na solução. Assim através da redução na condutividade elétrica é possível saber quando é necessário fazer a troca da solução nutritiva.

Um exemplo de manejo da solução nutritiva é sugerido pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), citado por Furlani et. al. (1999), que utiliza o critério da manutenção da condutividade elétrica, mediante a adição de solução de ajuste com composições químicas que apresentam uma relação entre os nutrientes semelhante à extraída pela planta cultivada. Furlani et. al. (1999) sugere as formulações constantes dos quadros 06 e 07 para o preparo e manejo da solução nutritiva respectivamente.

Após a adição da última solução concentrada, acrescentar água até atingir o volume de 1.000 L. Tomar a medida da condutividade elétrica. O valor da condutividade elétrica (CE) da solução nutritiva do IAC situa-se ao redor de 2,0 mS ou 2.000 mSou 1.280 ppm ou 20 CF (1 mS = 1.000 mS; 640 ppm = 1.000 mS; 1 CF = 100 mS). Pequena variação poderá ser encontrada em função da composição química da água usada para o seu preparo.

No caso de se optar pelo uso de uma solução nutritiva com condutividade de 1,0 ou 1,5 mS ou 1.000 ou 1.500 mS (recomendado para o verão e para locais de clima quente – região Norte e Nordeste), basta multiplicar por 0,50 ou 0,75 os valores das quantidades indicadas dos macronutrientes, mantendo em 100% os micronutrientes.

É conveniente que o volume do depósito seja completado quantas vezes forem necessárias durante o dia para evitar elevação muito grande na concentração salina da solução nutritiva. Para o manejo da solução durante a fase de desenvolvimento das plantas, seguir o seguinte procedimento: (a) diariamente, logo pela manhã, fechar o registro de irrigação, esperar toda a solução voltar ao depósito e completar o volume do reservatório com água e homogeneizar a solução nutritiva; (b) proceder à leitura da condutividade elétrica, retirando uma amostra do reservatório; (c) para cada diferença na condutividade inicial de 0,25 mS ou 250 mS ou 150 ppm, adicionar 1 L da solução A, 1 L da solução B e 50 mL da solução C (Quadro 07). Para os micronutrientes, a reposição também pode ser semanal, em vez de diária, através da solução C, adicionando 25% da quantidade de Fe e 50% dos demais micronutrientes, conforme o quadro 06; (d) após a adição das soluções e homogeneização da solução nutritiva, efetuar nova leitura; caso esteja na faixa adotada, abrir o registro de irrigação das plantas. É conveniente manter o reservatório de solução nutritiva sempre em nível constante, acrescentando água para repor o volume evapotranspirado. Se for favorável, o volume poderá ser completado à tarde e a condutividade elétrica medida e corrigida na manhã do dia seguinte.

Como conseqüência dessas adições ao longo do tempo para repor as perdas por evapotranspiração (o consumo médio de água num cultivo de alfacehidropônica situa-se entre 75 a 100 ml/planta/dia), poderá ocorrer desequilíbrio entre os nutrientes na solução nutritiva, com excesso de Ca e Mg em relação a K. Para contornar esse desequilíbrio, deve-se proceder à análise química da solução nutritiva e efetuar as correções nos níveis dos nutrientes, ou então renovar a solução nutritiva quando as quantidades dos nutrientes acrescentados com a água atingirem valores maiores do que os iniciais.

A renovação da solução nutritiva também é recomendada para evitar aumento nas concentrações de material orgânico (restos de planta, exsudados de raízes e crescimento de algas) que pode servir como substrato para o desenvolvimento de microorganismos maléficos. Além disso, quando a água usada para o cultivo hidropônico apresentar CE entre 0,2-0,4 mS, há uma indicação que possui sais dissolvidos (carbonatos, bicarbonatos, Na, Ca, K, Mg, S, etc.) e com o tempo de cultivo e sua constante adição para repor as perdas evapotranspiradas, ocorrerá uma diminuição gradativa da CE efetiva dos nutrientes em função do acúmulo de elementos indesejáveis.

Artigo visto em: http://www.euachei.com.br

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