Os diferentes sistemas de Cultivo Hidropônico e as Vantagens frente ao Cultivo Tradicional

Os sistemas hidropônicos podem ser classificados quanto a movimentação da solução nutritiva em estáticos ou dinâmicos. Outra classificação, se o sistema é abertoou fechado. O sistema é estático quando a solução nutritiva permanece estática junto ou próxima as raízes. É o caso do SISTEMA DE PAVIO, muito utilizado em vasos decorativos.

Neste sistema, há um vaso contendo a planta e um pequeno reservatório contendo a solução, ambos, interligados por um pavio, por onde a solução sobe por capilaridade. Trata-se, também, de um sistema aberto, pois a solução não retorna ao reservatório.

A maioria dos sistemas são do tipo dinâmico, havendo circulação forçada de água ou de ar para aeração da solução. Tem-se cinco exemplos de sistemas dinâmicos: Floating; Sub-irrigação; NFT; Gotejamento; e, Aeroponia.

No SISTEMA FLOATING (sistema flutuante), as plantas ficam flutuando numa espécie de piscina com solução nutritiva. Em geral, são apoiadas em placas de isopor com furinhos. Exige muita água e um excelente sistema de aeração. São próprios para regiões de clima de calor intenso. É difícil e caro fazer a troca total da solução.

No SISTEMA DE SUB-IRRIGAÇÃO, a irrigação, junto a zona radicular, é feita de baixo para cima e de tempos em tempos. Entre uma irrigação e outra quase toda solução retorna ao reservatório. Portanto, trata-se de um sistema fechado. São feitas 2 a 3 irrigações por dia.

O SISTEMA NFT é o mais difundido atualmente. Um temporizador aciona a moto-bomba de forma intermitente, seja por exemplo, mantendo 10 min ligados e 10 min desligado enquanto houver luz do dia. Como não há substrato entre as raízes, a solução circula e volta rapidamente ao reservatório. Assim, um pequeno reservatório consegue atender uma grande quantidade de plantas. O manejo do sistema é bastante simplificado: desinfecção do reservatório e dos tubos, troca total da solução, aeração… A grande desvantagem é que não pode arredar pé da estufa. Qualquer pane no sistema elétrico ou moto-bomba ou o esquecimento de um registro fechado (muito comum), pode comprometer ou até perder a produção, principalmente se for no período mais quente do dia. Como não há substrato, as raízes ressecam facilmente.

No SISTEMA DE GOTEJAMENTO, as plantas são irrigadas gota à gota. Os dispositivos chamados gotejadores ficam na superfície do substrato, junto ao pé da planta. Um temporizador aciona o sistema de irrigação de forma intermitente, podendo ser 2 a 3 vezes ao dia. Em Israel, é o sistema mais utilizado, onde o próprio deserto é o substrato de cultivo (há casos em que o substrato é um solo fraco, daí não é um cultivo sem solo ou hidroponia, trata-se de uma ferti-irrigação). A maioria destes sistemas, são do tipo aberto e, neste caso, é possível utilizar substratos diversos como a serragem de madeira. Num sistema fechado, com reaproveitamento do excedente da solução aplicada, não deve-se usar serragem pois ela pode alterar o pH da solução, exigindo muitas correções.

No SISTEMA AEROPONIA, tem-se um tecnologia muito avançada. Exige maior investimento. A solução nutritiva é nebulizada na câmara escura onde as raízes estão simplesmente suspensas e expostas ao ar interior. No lado de fora da câmara, a parte aérea das plantas recebe luz solar e/ou artificial. É um sistema fechado e utiliza temporizador com sensibilidade de curtos intervalos de tempo. A falta de energia elétrica, pode ser fatal, por isso, exige gerador de reserva.

VANTAGENS DA HIDROPONIA FRENTE AO CULTIVO TRADICIONAL

Considera-se aqui que o cultivo tradicional de plantas trata do plantio no solo e, em geral, à céu aberto.

Quando o Homem decide fazer agricultura, o faz agredindo o meio ambiente o qual pertence. Cabe sim, fazê-lo com o menor impacto ambiental possível.

Entretanto, no cultivo tradicional atual, tem-se dificuldade em reduzir a agressão ambiental, pois o crescimento populacional exige que a produção agrícola seja intensificada. Logo, a pressão sobre o ambiente tem aumentado gradativamente.

Ironicamente, esta pressão acontece justamente no momento em que cresce a consciência ecológica. Para agravar, fatores como a complexidade, variabilidade e profundidade do solo, bem como a imprevisibilidade do clima, dificultam, ainda mais, o controle do sistema.

O resultado da agricultura tradicional frente á hidroponia é: erosão, aplicação intensiva de adubos químicos ou orgânicos, lixiviação e volatilização de nutrientes e resíduos, desmatamentos, plantio à beira de rios, irrigação com água de córregos ou açudes poluídos, aumento de gastos com tratores e seus implementos, perdas significativas por eventos climatológicos, produção em épocas coincidentes com as dos vizinhos, atividade de alto risco, entre outros.

É possível afirmar que a agricultura tradicional, atualmente, está num impasse. Ao mesmo tempo que exige muita mão-de-obra, (na hidroponia a mão-de-obra é muito menor) as péssimas condições de trabalho desestimulam os filhos dos produtores e, as incertezas da colheita e a queda dos preços no período de safra, inviabilizam a contratação de mão-de-obra. Outra alternativa seria a mecanização, mas neste sentido, tem sido comum o agricultor passar anos trabalhando, apenas para manter o parque de máquinas e implementos.

Para piorar a situação, o produtor de hoje tem contas mensais para pagar, seja luz, água, escola, prestações. Há inclusive pagamentos à vista. Antigamente ele pagava apenas quando chegava o período de safra.

Artigo visto em: http://www.labhidro.cca.ufsc.br/

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