Algas aumentam a produtividade da batata em até 30%

As algas são fonte de vitaminas A, B1, B3, B6, B12, C, D e E e outras substâncias, como glicoproteínas (alginato), aminoácidos que podem funcionar como bioestimulantes vegetais. Além disso, elas são ricas em estimulantes naturais como: auxinas (hormônios do crescimento que governam a divisão celular), giberelina (que induz a floração e alongamento celular), e citocininas (hormônios da juventude que levam ao retardamento da senescência).

Diante disso, o emprego das algas marinhas no sistema produtivo pode propiciar a produção de fitoalexinas indutoras de resistência das plantas às doenças e pragas, fortalecendo os mecanismos de resistência dos vegetais.

Elas são fonte de antioxidantes, substâncias produzidas a partir do metabolismo secundário das algas, que estimulam a proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças e favorecem a vida microbiológica do solo. Eles tornam as plantas menos vulneráveis às variáveis abióticas, como temperatura, raios ultravioletas, salinidade, seca etc.

Nutrição completa

O uso de formulados contendo extrato de algas marinhas apresenta mais de 60 nutrientes em sua composição natural, dentre eles alguns macronutrientes como cálcio (Ca), potássio (K), magnésio (Mg) e enxofre (S) e micronutrientes como boro (B), manganês (Mn), ferro (Fe), cobre (Cu) e zinco (Zn).

Outra característica peculiar desses vegetais marinhos é a alta concentração de alginato, um polissacarídeo que compõe a estrutura da parede celular das algas. Ele faz com que elas armazenem água nas células e permaneçam hidratadas por todo o período que passam expostas ao sol.

O alginato, ao ser empregado no solo, desempenha o mesmo papel de reter água e agregar as partículas do solo, proporcionando um ambiente ideal para o desenvolvimento das raízes e a absorção dos nutrientes. Também é considerado uma rica fonte de carbono para a microfauna do solo, a qual é considerada a vida do solo.

Outra característica muito interessante desenvolvida ao longo dos processos evolutivos é a produção de antioxidantes, substâncias produzidas a partir do metabolismo secundário (desnecessário para a sobrevivência da alga) para protegê-la da exposição a raios solares (ultravioletas) e ao ar.

Essas substâncias podem ser relacionadas aos betacarotenos da cenoura ou às antocianinas presentes na uva e no açaí que, ao serem empregadas na agricultura, estimulam a proteção natural dos vegetais contra pragas e doenças.

Mais qualidade

Quando associadas a adubos minerais, as algas podem melhorar a absorção desses produtos e o seu aproveitamento dentro das plantas. Algas marinhas calcinadas são empregadas na agricultura orgânica como fonte, principalmente, de micronutrientes e estimulantes naturais, agindo na proteção dos vegetais quanto às pragas e doenças.

Como as algas marinhas favorecem a divisão celular, por serem ricas em estimulantes naturais e nutrientes, seu emprego melhora o enraizamento dos vegetais. Isso possibilita o melhor uso de solo, água e nutrientes, sendo que o enraizamento será mais abundante e eficiente.

Benefícios

Entre as espécies de algas, a mais pesquisada é a Ascophyllum nodosum, que se apresenta com excelente bioatividade. Como possíveis benefícios da inclusão de extratos das algas no sistema de produção da batata, podem-se mencionar:

a) Melhor desenvolvimento das raízes, por favorecer a divisão celular e propiciar melhores arranque e estande;

b) Contribuição à maior resistência a condições adversas (frio, salinidade, pragas e doenças), devido ao efeito de sua presença na formação de fitoalexinas e no enraizamento;

c) Melhoria da tuberização, em virtude do conteúdo de giberelinas e citocininas;

d) Aproveitamento mais eficiente da água, pela presença de alginato;

Aplicação

Hoje em dia, as algas são coletadas manualmente em fazendas marinhas com certificação nos países de origem. São processadas por meio de tecnologias que permitem extrair todos os componentes presentes nela, sem que haja degradação e perda de qualidade.

As algas marinhas podem proporcionar maior enraizamento, quando a aplicação for via sementes ou, então, por ocasião do plantio em conjunto com os adubos de base. Uma oportunidade de uso é no tratamento de sementes, com inseticidas, fungicidas e inoculantes.

Assim sendo, pode-se incluir as algas marinhas no sistema produtivo pela aplicação na parte aérea das plantas, tanto em estágios vegetativos como reprodutivos. Então, será favorecida a resistência às pragas e doenças foliares, bem como a produção.

Mais produtividade

Na literatura, há referências de aumentos consideráveis de produção de batata, com a inclusão de formulados com algas marinhas: cerca de 20% em termos de número de tubérculos, entre 30 a 40% em relação à massa total e, aproximadamente, 25% quando se considera o produto comercializável. Confere, ainda, aumento de diâmetro e do peso de tubérculos.

Quanto às doses a aplicar, cabe salientar que elas dependem do formulado. Há referências, no caso de produtos líquidos, que a aplicação de 1L/ha-1 aos 30, 40 e 50 dias após o plantio promove bons resultados.

Outra recomendação, no caso de apresentação em formas sólidas, indica a aplicação no plantio 800 g/ha-1 (em fertirrigação ou em pulverização direta no sulco de plantio e três pulverizações: 15, 30 e 45 dias após). Quando em condições de estresse, pode-se lançar mão de pulverizações adicionais.

Nilva Teresinha Teixeira

Doutora em Agronomia, professora do Unipinhal e consultora da TES Consultoria

nilvatteixeira@yahoo.com.br

Artigo visto em http://www.revistacampoenegocios.com.br

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